Indo até onde muitos não ousam ir

por Angelo S. F. Davi

9¬ļ show da turn√™ No Longer Music no Brasil: Festival Manifeste e show no local em que portugueses e √≠ndios, h√° s√©culos atr√°s, fundaram parte da cidade de S√£o Paulo. At√© o S√©c XVI era conhecido pelo nome tupi, mesmo nome do rio Anhangab√°u: rio do malef√≠cio, da diabrura, do feiti√ßo, rio do diabo. Os pag√©s recomendavam n√£o beber nem se banhar na √°gua do rio, pois causava muitas doen√ßas. Sobrenatural para os √≠ndios era Anhang√°, a quem se atribu√≠a a chegada de desgra√ßa, maldi√ß√£o e assombra√ß√£o. Diz-se que quando bandeirantes portugueses chegaram, √≠ndios jovens e outros foram escravizados e assassinados – seus corpos lan√ßados no rio que virou tamb√©m sangue inocente. No S√©c. XVII a √°gua era usada pra lavar roupas, objetos e at√© tomar banho. At√© 1822 as ch√°caras ali vendiam ch√° e agri√£o.

Hoje o rio est√° canalizado e totalmente escondido. A urbaniza√ß√£o chegou em 1877 com a constru√ß√£o do viaduto do ch√°. Em 1910 nasce o Parque do Anhangaba√ļ. E trag√©dias em meio a tudo na regi√£o continuaram: a familiar do Castelinho da rua Apa (1937), jovens atirados do edif√≠cio Martinelli nos anos 1960-70, inc√™ndios dos edif√≠cios Andraus (1972) e Joelma (1974). Em 1984, o maior com√≠cio da hist√≥ria brasileira pela abertura democr√°tica acontece no Vale do Anhangaba√ļ, com 1,5 milh√£o de pessoas presentes. O Vale hoje oferece palco para diversos tipos de eventos, e tamb√©m est√° na Virada Cultural desde 2005.

Supersti√ß√£o que chega pela cultura e tempo at√© n√≥s, talvez fa√ßa ignorar ra√≠zes urbanas das folhagens de hoje. Evita crist√£os de estarem com Jesus onde os perdidos est√£o, falando a l√≠ngua deles, dizendo que Cristo levou toda maldi√ß√£o? Pouco se assume publicamente o mau agouro ou os estilos de vida equivocados, ent√£o eles impregnam a gente e ningu√©m mais faz conta. O temido soa muito mais perigoso do que de fato √©, como se Deus n√£o protegesse soberano. Voc√™ n√£o acredita em mula-sem-cabe√ßa, mas ser√° que n√£o age como se existisse? H√° senso comum em n√£o anunciar o evangelho como precisa, crist√£os se vangloriarem por sua aus√™ncia separatista, e no m√°ximo fazer s√≥ obras positivas √© que √© importante. Fica trivial perder qualquer oportunidade de anunciar a Cruz a pessoas existencialmente cegas, doentes e oprimidas onde a bondade obreira n√£o chega. Jesus e n√≥s, bibel√īs. Todo mundo quer ser influencer, mas alguns s√£o apenas a reversa influ√™ncia para sua pr√≥pria gente.

 

 

Por que est√° t√£o raro pelo menos imaginar Jesus Cristo sendo A Esperan√ßa brotando aqui, surgindo poderosa e surpreendente em qualquer lugar e situa√ß√£o, em n√≥s e ainda muito al√©m de n√≥s mesmos? Em uma dire√ß√£o respondendo √† hist√≥ria e noutra respondendo a cada cora√ß√£o nas presentes gera√ß√Ķes, com a√ß√£o que faz de cada pessoa algu√©m que pode ser de verdade. Jesus n√£o √© ideia ou conceito, mas pessoa eloquente agora.

Difícil? Não é a crise, não. Um tempo atrás se falava de fora da caixa, mas o máximo de saída que assumimos é apenas levar Deus pra passear por aí na coleira em meio ao nosso abarrotado cotidiano. Quando Deus na verdade é indomável, implacável, não como um rotweiller bruto-babão e autoritário, mas como um semeador que saiu a semear amando o solo, sem oferecer pescoço pra coleira. Queixa é algo diferente de verdade, mas nos confunde. A verdade permanece como verdade, invariável, I’m sorry fake news.

A fé da gente não é a mente de Deus pra projetar e executar absoluta e plenamente. No meio de 2017 nós na Steiger BR não sabíamos exatamente o que esperar, mas ainda assim Deus nos chamava para ir adiante, a gente confiou e seguiu. Chegamos até turnê No Longer Music & Medulla Brasil 2018, de 10 shows em 3 estados, com Deus fazendo muito. Era pra gente somar com o Manifeste, também.

 

 

 

O 9¬ļ show da tour ontem, dia 20/1, estava previsto para ser em um Festival Manifeste, em S√£o Paulo/SP. H√° 5 anos na Steiger Brasil oramos e trabalhamos por pelo menos mil pessoas em cada evento do Manifeste. Ontem no Vale do Anhangaba√ļ a contagem da pol√≠cia paulista foi de 4 mil presentes para ouvir o evangelho proclamado pelo NLM, em situa√ß√£o/evento Manifeste!

 

 

Deus responde as ora√ß√Ķes de muito mais gente que ora conosco para alcan√ßar a cultura jovem global. Hoje ora-se nas igrejas brasileiras pelas nossas atividades, e tamb√©m em comunidades pelo mundo.

Então o Senhor mostrou continuar indo além do que todos pedimos. Quando o Festival começou, a atmosfera estava densa espiritual e culturalmente (aqui não tem superstição, meu caro), mas no desenrolar do evento Deus foi dissipando, sua gentil presença foi ficando mais nítida. Choveu bem, mas no show da NLM as gotas reduziram até parar para um show praticamente seco sob o teto nublado.

Ao fim do show do No Longer Music, poucos em meio as 4 mil pessoas deixaram de responder a Jesus Cristo com as mãos erguidas! Todos oraram junto com David Pierce, ao microfone. Ecoava forte no vale, só agora percebo Рacho que muitos como eu nem repararam na hora.

 

 

 

No Follow Up da Steiger BR imediatamente posterior ao show (na foto acima um aluno da Compacta 2018 fazendo isso também), eu pude falar com algumas pessoas.

Encontrei um jovem maravilhado com a novidade começando a surgir. Perguntei se ele tinha consciência de receber a Jesus que batia na porta do coração dele. Ele na hora quis ir além recebendo mais profundamente Cristo em sua vida. Oramos, e o convidamos para estudo bíblico.

Andei e no meio da galera ou√ßo √Čber (aluno Compacta do RJ) me chamando junto com V√≠tor (Equipe Steiger BR) para outro jovem que estava impressionado com o que acontecia: ‚ÄúCara, quem s√£o voc√™s, o que √© isso que t√ī sentindo? Quero levar voc√™s para Embu das Artes/SP, vamos?‚ÄĚ. Eu disse talvez, e tomei outra dire√ß√£o no papo, perguntei se ele j√° estava percebendo Deus chegando at√© ele hoje. O jovem parou, pensou, e disse que sim. A√≠ n√≥s oramos todos juntos para ele receber a Cristo, e orei para o Esp√≠rito Santo vir morar intensamente nele de modo marcante. Ent√£o o jovem recebeu tipo uma energia que deixou ainda mais intenso o que vivia, uma alegria a beira da euforia – pegamos o contato dele para um estudo b√≠blico. Segui andando no meio da multid√£o com V√≠tor, e de repente vi um outro jovem sozinho, calmo; eu e V√≠tor perguntamos o que ele achou do show e do que tava rolando, e se ele queria receber a Jesus. V√≠tor precisou ser mais direto. Mais um jovem entregou a vida maravilhado e em l√°grimas, de um jeito claro em recome√ßo, tamb√©m passando contato pra se juntar ao estudo b√≠blico em SP.

Geoff, norte-americano integrante do No Longer Music, falou com outro jovem, bastante cientificista, ateu. Geoff dialogou com muito amor, e numa boa perguntou se o jovem n√£o queria orar com ele. O jovem topou, e durante a ora√ß√£o de repente ele come√ßa a agradecer a Deus junto, e a√≠ reconheceu Jesus Cristo como a resposta divina a ele (!) – ‚ÄúWhat was that God?‚ÄĚ, Geoff falou consigo. Luiz, da Equipe Steiger BR, talvez tenha tido um dos di√°logos mais dif√≠ceis da noite com um niilista cheio de argumentos complexos; Luiz conseguiu explicar que Jesus era outra coisa diante das muitas suposi√ß√Ķes contr√°rias e ilus√≥rias, e explicou com toda complexidade do Evangelho respondendo a altura. Algo mudou no jovem (ore por ele) – mas certamente foi a primeira vez que ele ouviu o Evangelho como √©.

Em meio a tanta gente a equipe Steiger poderia ser pequena para nosso Follow Up. Deus contudo trouxe para alcance dos cora√ß√Ķes mais gente. Alunos da Escola Steiger Compacta SP, gente de igrejas e minist√©rios urbanos. Tanta coisa aconteceu que est√° dif√≠cil relatar! Muitos contatos come√ßaram chegar para a Steiger BR, para futuros estudos b√≠blicos.

 

 

 

 

Ontem no show tinha um jovem com fortes traços indígenas festejando nova experiência, tinha uns traços de tinta vermelha nas bochechas. São Paulo não tem muito esse lance de tribo hoje, nem subcultural (punk mesmo ali tinha 2); a miscigenação triunfa e é uma multidão jovem muito além de 4 milhares, que mistura na cultura pop, rock, rap, jazz, manguebeat, trap, mais etnias, costumes, tecnologias e credos. Qualquer índio, qualquer mestiço, brasileiro, tem todas as chances de se sentir ainda mais perdido, mas a Esperança apareceu pra eles ontem, na melhor chance, inesquecível. Estavam todos sedentos, desesperados por Jesus. Agora é provável que estejam transbordantes.

Ore por todos e também por estudos bíblicos que devem começar. Muitos contatos foram colhidos interessados em ir além com Jesus Cristo. Siga conosco em oração, inclusive agradecendo e louvando, e se Deus tocar você, junte-se a nós no alcance da Cultura Jovem Global brasileira.

ūüďł Lincoln Schindler

Pequena equipe para um show

Por Sandro Baggio

Quando fui incumbido de reunir uma pequena equipe da miss√£o Steiger Brasil/Come&Live! Brasil, para ajudar Brian Welch a ministrar para os f√£s no show da banda Korn, fiquei animado. Isso era algo que eu tinha mencionado a um amigo do Brian no ano passado, ao ouvir que sua banda viria ao Brasil.

Apesar de nunca ter sido grande f√£ de Korn, fiquei interessado pela banda quando, em 2007, li a autobiografia ‚ÄúSave Me From Myself‚ÄĚ, do guitarrista Brian ‚ÄėHead‚Äô Welch. No livro, Brian conta a hist√≥ria do garoto californiano que alcan√ßou o sonho de tornar-se um astro musical ao ajudar a formar uma banda de rock que ficaria mundialmente famosa. No entanto, sem uma estrutura interior, Brian se viu afundando nas drogas justamente quando estava no auge de sua carreira. √Ä beira do abismo, percebeu que, se quisesse continuar vivo, precisava parar com tudo. E fez isso quando teve um encontro com a pessoa e o poder de Jesus Cristo. Durante oito anos, Brian se distanciou da banda que ele havia ajudado conduzir √† fama, a fim de buscar a vontade de Deus para sua vida. At√© que Deus o reconduziu de volta a Korn, como uma nova criatura e uma nova miss√£o: ser uma testemunha do poder transformador do Evangelho.

Moah (do C&L! BR), Hudson (do Aleg√≥rica – artista C&L!) e eu tivemos a oportunidade de ajudar o Brian em sua miss√£o no show da banda em S√£o Paulo. Chegamos no local conforme previamente combinado e fomos muito bem recebidos pelo Brian. De repente, est√°vamos no camarim de uma das maiores bandas de rock do mundo. Brian deu-nos as diretrizes de como dever√≠amos convidar pessoas para conhec√™-lo e tirar fotos com ele ap√≥s o show. ‚ÄúOlhe bem nos olhos delas‚ÄĚ, disse-nos. ‚ÄúPe√ßa a Deus para dirigir voc√™s para as pessoas certas‚ÄĚ. Enquanto ele nos dizia isso, n√£o pude deixar de notar o menino sentado no sof√° pr√≥ximo de n√≥s – substituto da banda naquela noite, Tye Trujillo, baixista de 12 anos cujo pai (tamb√©m presente nos bastidores) toca na mais famosa banda de rock pesado do mundo: Metallica.

Ap√≥s o show, uma vez reunidas as pessoas convidadas, Brian veio encontrar-se com elas. Com uma tremenda leveza, compartilhou brevemente sobre sua carreira de sucesso, o pesadelo das drogas e sua nova vida com Cristo. Ap√≥s ler um texto das Escrituras, ofereceu-se a orar por todos, pedindo para que Jesus se revele a cada cora√ß√£o aberto para crer. Depois passou a tirar fotos com todos os f√£s. Todos estavam interessados em ouvir mais sobre a f√© que transformou a vida desse artista. Pequenas rodas de ora√ß√£o se formaram, em meio a abra√ßos e l√°grimas. ‚ÄúO que √© isso?‚ÄĚ, perguntou-me uma mulher. ‚ÄúVim aqui pensando que s√≥ iria tirar fotos com ele e, de repente, fui inundada por uma energia incr√≠vel! O que √© isso?‚ÄĚ

Outra garota veio junto com seu namorado agradecer-me por ter-lhes dado o convite. Desculpando-se por ter chorado tanto ao ouvir o testemunho de Brian, ela contou como se tornara f√£ de Korn h√° muitos anos e agora havia recebido uma mensagem de vida nova do pr√≥prio guitarrista da banda. “Obrigado por me escolher no meio da multid√£o”, disse ela. Eu apontei para o c√©u e disse: ‚ÄúFoi Ele quem te escolheu”.

Passava da meia-noite quando nos despedimos do Brian e deixamos o local (ele foi o √ļltimo da banda a ir embora). A sensa√ß√£o era que hav√≠amos testemunhado algo extraordin√°rio. A abertura dos f√£s para ouvir e receber a mensagem clara do Evangelho compartilhada por Brian foi surpreendente. O impressionante foi presenciar o poder de influ√™ncia que um astro musical tem – e que pode ser usado para o bem ou para o mal. Brian escolheu usar esta influ√™ncia para comunicar a mensagem do Evangelho que mudou sua vida, nas esperan√ßa que ela possa mudar a vida de muitos de seus f√£s. O modo como ele faz isso com um cora√ß√£o humilde e amoroso revela Cristo em sua vida e glorifica a Deus.

 

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